Qual considera ser o principal contributo da sua Comunidade Intermunicipal para o desenvolvimento económico e territorial da região?
O principal contributo do Médio Tejo passa pela capacidade de construir pontes — entre municípios, entre sub-regiões e entre o território e as instituições europeias. Somos parte integrante de um exercício institucional sem precedentes recentes: três sub-regiões com histórias, instrumentos de programação e culturas de governação distintas — duas enquadradas no Centro e uma no Alentejo — que decidiram construir, em conjunto, uma nova escala regional com uma visão comum de desenvolvimento. Este alinhamento estratégico e esta maturidade política são, em si mesmos, um contributo estruturante para o desenvolvimento territorial.
Que projetos estruturantes ou investimentos estratégicos destacaria atualmente no seu território?
Estamos fortemente concentrados na execução do Portugal 2030, na contratualização e na concretização de investimentos que transformem recursos financeiros em projetos concretos para os nossos territórios. Paralelamente, a recente abertura de uma Representação Permanente da Região Oeste e Vale do Tejo em Bruxelas representa um investimento estratégico de outra natureza — institucional e prospetivo — que nos permite identificar oportunidades de financiamento direto, participar em redes europeias e preparar com antecedência o próximo ciclo de programação comunitária.
De que forma a nova NUT II Oeste e Vale do Tejo poderá constituir uma oportunidade para os municípios, nomeadamente ao nível da captação de investimento?
A nova NUT II representa uma mudança de escala decisiva. Com mais de 850 mil habitantes e uma centralidade estratégica entre Lisboa, o Centro e o Alentejo, a região ganha visibilidade, massa crítica e capacidade negocial que nenhuma das sub-regiões teria isoladamente. Para os municípios, isso traduz-se em maior poder de atração de investimento, acesso a instrumentos financeiros europeus mais robustos e uma presença reforçada nos processos de decisão em Bruxelas. Quem quer competir no futuro tem de estar presente onde o futuro começa a ser desenhado — e é exatamente isso que esta nova configuração territorial nos permite fazer.
Quais são, atualmente, os principais desafios da região em termos de competitividade, inovação e coesão territorial?
O maior desafio é gerir bem o presente sem perder de vista o futuro. A execução do Portugal 2030 exige foco e capacidade técnica, mas não pode impedir-nos de preparar o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 — que será desenhado num contexto europeu profundamente diferente, marcado por novos desafios geopolíticos, pressão crescente sobre a competitividade, necessidade de autonomia estratégica em energia e tecnologia, e os imperativos da transição climática e digital. A coesão territorial passa também por harmonizar culturas de governação distintas entre os territórios que compõem a nova região, o que exige tempo, confiança e liderança partilhada.
Que visão estratégica considera essencial para afirmar o Oeste e Vale do Tejo como uma região mais competitiva e atrativa nos próximos anos?
A visão estratégica essencial assenta em três pilares: antecipação, presença e cooperação. Antecipação, porque o próximo ciclo europeu não pode começar em 2028 — tem de começar agora, com preparação e inteligência prospetiva. Presença, porque é em Bruxelas que se constroem alianças, se influenciam agendas e se antecipam tendências — e regiões que chegam tarde ao debate apenas reagem a regras já definidas por outros. Cooperação, porque a nova NUT II só terá força se os territórios que a compõem souberem construir uma visão verdadeiramente comum, superando particularismos em favor de um projeto regional partilhado.
Que mensagem gostaria de deixar aos empresários, investidores e à NERSANT?
A mensagem é de confiança e de ambição. O Oeste e Vale do Tejo é hoje uma nova realidade territorial — com escala, com posição geográfica privilegiada e com uma determinação crescente de se afirmar na Europa. Para os empresários e investidores, esta região oferece não apenas condições competitivas no presente, mas uma governação que olha para o futuro com estratégia. À NERSANT, o reconhecimento pelo papel fundamental que desempenha em dar voz às empresas e em construir pontes entre o tecido económico e as instituições. Juntos — CIM, municípios, empresas e associações —, temos todas as condições para afirmar o Oeste e Vale do Tejo como uma das regiões mais dinâmicas e inovadoras do país.

